Conab prevê aumento de área plantada e redução da produtividade de algodão em pluma na safra 2025/2026
Após o desempenho recorde observado na safra 2024/25, o primeiro levantamento da safra 2025/26, publicado pela Conab, apresenta uma retração na produção estimada de algodão em pluma, totalizando 4.030,6 mil toneladas. Esse recuo inicial é atribuído a uma postura conservadora nas estimativas, balizada por modelos estatísticos e análise climática, refletida na redução de 3,5% na produtividade projetada em comparação com à safra anterior.
Em contrapartida, os bons resultados das últimas safras mantêm o otimismo entre os produtores, o que se traduz em estimativa de aumento de 2,5% na área destinada ao plantio em relação ao ciclo anterior.
No momento, a safra se encontra no período de vazio sanitário, o qual se estende, em geral, até dezembro. Durante esse intervalo, as atenções dos produtores concentram-se nas atividades de pós-colheita, como o transporte e o beneficiamento da produção, assim como ações voltadas ao controle do bicudo-do-algodoeiro, com foco na eliminação das plantas remanescentes no campo, até mesmo durante o cultivo subsequente da soja.
A semeadura da safra 2025/26 está prevista para iniciar em setembro e outubro em São Paulo, intensificando-se entre dezembro e fevereiro, especialmente no maior estado produtor do país, Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário do algodão teve início em 15 de setembro e segue até 30 de novembro, na Região I de MS, a maior produtora do Estado.
Com o levantamento realizado pela Conab, a safra de algodão 2024/25, cuja colheita foi recentemente finalizada, deverá resultar em 4,08 milhões de toneladas de pluma de algodão. Para a safra 2025/26, a estimativa é de que a produção alcance 4,03 milhões de toneladas, cultivadas em 2,14 milhões de hectares.
Apesar do aumento de 2,5% na área prevista, a produção deverá ser 1,1% inferior à anterior em virtude da estimativa de queda de produtividade de 3,5%, prevê o primeiro levantamento da safra 2025/2026 da Conab.
A conjuntura econômica global atual e o cenário de incertezas provocados pelas medidas tarifárias adotadas pelo governo norte-americano têm gerado insegurança no mercado internacional de algodão. Ainda assim, projeta-se que o Brasil amplie as exportações de pluma em 2026, superando 3 milhões de toneladas.
Até setembro deste ano, foram exportadas 1,88 milhão de toneladas. Ao final do ano, o volume exportado deverá atingir 2,9 milhões de toneladas. A demanda interna da pluma vinha apresentando sinais de recuperação, impulsionada pelo crescimento do setor têxtil. Entretanto, o setor apresentou retração ao final do primeiro semestre, reduzindo as suas aquisições.
O consumo interno de algodão deverá alcançar cerca de 730 mil toneladas neste ano, representando uma redução de 2,67% em comparação com o ano anterior. Para o ano de 2026, projeta-se que o consumo doméstico atinja 725 mil toneladas, principalmente em virtude do cenário de taxas de juros mais elevadas, previsto até o primeiro semestre de 2026.
Diante do exposto, o volume do estoque de passagem da safra 2024/25 deverá ser de 2,75 milhões de toneladas, enquanto o da safra 2025/26 será de 3 milhões de toneladas, representando um crescimento de 17,3% e 11%, respectivamente.
Fonte: Jovemsulnews (Norbertino Angeli)









